Quarenta e seis dias depois do incêndio que matou os dois irmãos, na casa em que eles moravam em Linhares, a pastora, Juliana Sales, quebrar o silêncio e falou com exclusividade com o jornalista Wilton Junior do Jornal A Tribuna, sobre a dor da perda dos filhos e a reação após a conclusão do inquérito da Polícia sobre a investigação do caso.

“Não foi com esse homem que me casei”, diz Pastora
“Não foi com esse homem que me casei”, diz Pastora / Foto: Divulgação

Ainda bastante abalada, a pastora disse que sua rotina tem sido difícil. Ela ainda chora muito, não consegue dormir e diz não ser capaz de acreditar que o assassino descrito pela Polícia é o homem com quem se casou.

Juliana também disse que acompanhou a entrevista coletiva da Polícia em que foram divulgados os detalhes da morte dos dois filhos e como o assassino teria abusado das crianças, espancado os dois e depois ateado fogo aos corpos, ainda vivos, em cima da cama no quarto onde dormiam.

ENTRIVISTA

Após toda a tragédia ocorrida com sua família, como a senhora esta se sentindo hoje? – Esta sendo muito difícil. Até hoje não conseguir viver, de fato, o luto dos meus filhos, a perda deles (choro).

Como tem sido sua rotina?  – A minha ficha ainda não caiu. Não estou conseguindo viver de verdade. Todos os dias vêm uma coisa diferente, uma informação diferente. Não estou na minha casa, não estou com meus filhos e nem com meu marido. Não consigo mais dormir. Minhas noites têm sido em claro.

Em qual versão a Senhora acredita na divulgada pela polícia ou na do seu marido? Estou confusa. Eu, como esposa do George há cinco anos, não consigo vê que foi com esse homem que a Polícia descreveu que me casei.

A senhor pretende fazer uma visita ao George na cadeia? – Ainda não sei dizer se vou fazer isso.

Pretende ir à Brasília para a CPI dos Maus-Tratos? – Estou aguardando. Se for intimada terei que ir.

Como soube da Tragédia ocorrida na sua casa naquela madrugada? – Eu recebi uma ligação do George às duas e pouco da manhã, muito desesperado, dizendo o que estava acontecendo, mas alguém tomou o telefone da mão dele e desligou. Logo depois, um bombeiro falou comigo que a casa estava pegando fogo e que ele(bombeiro) não acreditava que as crianças estivessem lá dentro. Neste comentou imaginei que algo de grave havia acontecido.

A senhora falou o com o George antes do que ocorreu naquela noite? – Sim. Ele estava muito bem-fizemos uma chamada de vídeo e ele estava ao lado do Kauã (choro).O Kauã estava muito feliz, falando como tinha sido o dia dele. Foi uma chamada de aproximadamente quatro minutos. E logo em seguida fui dormir.

Ficou sabendo o que eles fizeram na noite antes da tragédia? – Eles foram a uma sorveteria e depois à casa de fiéis.

E hoje, como vê toda essa  repercussão  relacionada ao caso? – É um misto de sentimentos inexplicáveis. Tenho medo de sair na rua, das pessoas fazerem alguma coisa comigo ou com o meu filho. Eu não tenho saído de casa e nem olhado a internet. Não consigo ir na frente do portão da casa dos meus pais. Tenho recebido ameaças escritas no meu portão. É horrível. Fazem piadas e ameaças em frente à casa dos meus pais.

Já teve algum contato, mesmo por meio de cartas, com o seu marido? – Conseguir mandar uma carta para ele, mas antes de a polícia divulgar o resultado das investigações. Depois disso tudo, não falei mais com ele.

Acompanhou a entrevista coletiva da policia pela TV? – Sim. Eu não consigo acreditar. O George sempre foi um bom pai e bom marido. Ele nunca teve traço nem um daquilo que eles falaram, nunca. Ele era um exemplo para os filhos dele. O Kauã falava que queria ser igual ao pai George. Ele era referencia dos meus filhos.

O que acha do comportamento de seu marido, logo após o incêndio, ao participar de dois cultos? – Eu não sei o que passava na cabeça de casa um. É muito complicado. Nós temos a nossa fé, acreditamos em Deus. Já perdi uma filha antes e Deus tem me sustentado. Eu tenho fé. Então, eu acredito que foi a fé dele que o moveu. Eu não tenho como criticar, julgar ou mesmo defende-lo.

Pretende continuar em Linhares? – Não sei. A gente não sabe ainda ao certo.

Qual a mensagem que a senhora deixa para a sociedade e pra os fieis da Igreja Batista Vida e Paz? – Eu queria que as pessoas fossem mais humanas e também acreditassem na humanidade. Agradeço aqueles que estão comigo, que tem me ajudado e me apoiado.

 

 

Fonte – Jornalista Wilton Junior/ Jornal A Tribuna.

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